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Ferrovia chegará a Cuiabá, mas capital precisa “se preparar” para aproveitar a virada, diz Vuolo

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

MAURO CAMARGO

Nossa República



A ferrovia “vem para Cuiabá” — e não como promessa de palanque, mas como compromisso contratual, afirma o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, em entrevista ao Jornal da Cultura (Cultura FM 90.7), com Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo. Segundo ele, o contrato assinado entre a concessionária Rumo e o Governo de Mato Grosso trata a capital como prioridade e aponta um caminho de expansão por etapas, com o próximo marco já definido: o terminal de Dom Aquino, previsto para o segundo semestre deste ano.

 

A lógica é a de uma ferrovia que precisa “andar com as próprias pernas”. “Ferrovia não é como rodovia”, argumenta Vuolo. Para ele, a operação só se sustenta se houver volume de carga suficiente para financiar a expansão. É por isso que Dom Aquino, ao captar grãos e produtos do eixo Primavera–Campo Verde, entra antes: garante receita, reduz risco e abre espaço para o braço rumo à capital.

 

Carga primeiro, passageiros depois: “é possível”, mas não agora

 

A entrevista trouxe um balde de realidade para quem espera trem de passageiros como solução imediata. Vuolo explicou que a antiga concessão federal (Ferronorte) foi desenhada apenas para carga, sem prever passageiros. Já a Ferrovia Estadual, por ter modelo distinto, permite essa possibilidade no futuro — mas a operação de passageiros exige terminais próprios, segurança e outro padrão de logística.

 

Ele relatou que já houve estudos sobre a viabilidade de passageiros entre Cuiabá e Rondonópolis, mas com uma condição decisiva: só faz sentido se alguém operar depois de a infraestrutura estar pronta e a ferrovia estiver rodando com carga. “Não há viabilidade se o investidor tiver que fazer a infraestrutura”, resumiu.

 

Raízen em recuperação judicial: risco real ou ruído do grupo?

 

A entrevista também expôs um ponto sensível: a Raízen, empresa do grupo controlador (Cosan), entrou com pedido de recuperação judicial. Vuolo disse que a dívida gira em torno de R$ 65 bilhões, e que houve aporte de cerca de R$ 5 bilhões por parte de acionistas — valor pequeno diante do passivo, segundo ele.

 

O alerta, porém, não significa colapso automático da ferrovia. Vuolo diferenciou as empresas: a Rumo seria “extremamente superavitária”, com lucro na casa de R$ 800 milhões em 2025 e cerca de R$ 240 milhões no último quadrimestre do ano, conforme afirmou. A preocupação, para ele, é indireta: uma perna do grupo com problema pode encarecer crédito, elevar juros e aumentar custo de captação, ainda que a Rumo tenha números para sustentar endividamento.

 

Na visão do presidente do Fórum Pró-Ferrovia, a malha Norte (que atende Mato Grosso) é “a menina dos olhos” da empresa por representar peso positivo nos resultados. Em outras palavras: o incentivo econômico para avançar em MT é alto.

 

Vuolo foi direto ao explicar a engenharia financeira: a ferrovia estadual segue uma concessão comum, com investimento feito pela empresa e retorno via frete. “Todo o investimento na ferrovia estadual é feito com recurso próprio”, afirmou, citando terminais, locomotivas, vagões e infraestrutura.

 

Ele mencionou ainda que a Rumo captou recentemente R$ 2 bilhões para consolidar a chegada até Dom Aquino. Para ele, quanto mais a ferrovia avança — Cuiabá, Dom Aquino, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde — maior o volume de carga e mais forte o resultado econômico, o que retroalimenta a expansão.

 
 
 

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